Carl Gustav Jung foi psiquiatra suíço e fundador da Psicologia Analítica. Ao longo de sua obra, investigou símbolos, mitos e tradições espirituais como expressões do inconsciente coletivo. No prefácio à edição inglesa do I Ching e em seus estudos sobre sincronicidade, Jung reconheceu no livro chinês um exemplo notável de coincidência significativa — uma forma de relação entre psique e realidade que não se explica apenas por causalidade. Sua reflexão ajudou a introduzir o I Ching no pensamento psicológico moderno.
Carl Gustav Jung encontrou no I Ching algo que não cabia na lógica comum de causa e efeito. Ao estudar o livro e utilizá-lo pessoalmente, ele percebeu que certos acontecimentos não se ligavam por causalidade, mas por sentido. A isso deu o nome de sincronicidade: coincidências carregadas de significado, que conectam o mundo interior e o mundo exterior sem que uma coisa “cause” a outra.
Em seu percurso intelectual, Jung tentou compreender esse fenômeno de várias formas. Inicialmente aproximou-o da ideia de “tempo qualitativo”, segundo a qual cada momento carrega uma qualidade própria. Mais tarde, porém, abandonou essa formulação por perceber suas limitações teóricas. O que permaneceu foi a noção mais essencial: a experiência humana pode revelar uma ordem simbólica mais profunda, acessível não pela causalidade física, mas pelo reconhecimento de sentido.
Seus próprios experimentos — inclusive ao investigar astrologia — mostraram que estatísticas não eram capazes de provar essa ordem invisível. O que se impunha não era a frequência matemática, mas a força da experiência significativa. A sincronicidade, para Jung, não era superstição, mas um convite a reconhecer que a realidade inclui dimensões simbólicas que dialogam com a psique.
Ao trazer o I Ching para o pensamento ocidental, Jung não o tratou como instrumento de previsão mecânica, mas como espelho da consciência. É essa mesma seriedade que orienta nosso trabalho: compreender o livro como linguagem simbólica profunda, respeitando sua tradição e utilizando a inteligência artificial não para substituir o sentido, mas para organizá-lo e torná-lo acessível de forma responsável.